Ecoeficiência: sustentabilidade a partir da estrutura

 

Somos consumidores de recursos naturais em nossa produção – e sabemos que eles são finitos. Para garantir, ao mesmo tempo, a qualidade de nossos produtos e cumprir o compromisso que temos com a sociedade com o planeta, precisamos avançar no uso dos recursos naturais renováveis e, pelo exemplo, incentivar nossa cadeia de valor e outras empresas a fazer o mesmo. Com base em pesquisas, sabemos que mais de 70% dos consumidores têm consciência de que o consumo gera impacto.

Além de todo o trabalho promovido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, o desafio diário do nosso negócio é minimizar o impacto no meio ambiente e beneficiar mais todas as pessoas. Temos metas definidas para a redução do uso de recursos diretos para ampliar nossa ecoeficiência desde 2012, quando demos início ao capítulo da estratégia de sustentabilidade que nos orienta até 2024, para consumo de água, de energia, geração de resíduos e emissão de gases de efeito estufa. Para o triênio 2019-2021, foram mapeadas iniciativas de sustentabilidade em planos de áreas como as de Logística (43, ao todo) e Industrial (102, ao todo). Nossas metas e planos de ação são revisados anualmente, com base em benchmarking do setor e nos desafios que queremos alcançar.

Os indicadores são monitorados diariamente, com análises críticas mensais e reuniões trimestrais com a alta direção para avaliação e discussão do plano de ação. 

 
Água

A água é um matéria-prima essencial para o portfólio do Grupo Boticário. Nossa produção também depende dela para vários processos, como os de limpeza e resfriamento. Por isso, gestão da água é um dos principais indicadores de nossa estratégia de sustentabilidade e, em nosso programa de metas para 2024, conta com duas linhas de ação: redução do consumo médio por tonelada produzida para 6 metros cúbicos e aumento do reúso para 50% do total captado.

Em 2018, o volume de água captado pelo Grupo Boticário aumentou 9,5% em relação ao ano anterior, em grande parte em função do crescimento das operações, o que explica a dimensão do consumo em todas as unidades. Por outro lado, quando se analisa o volume consumido por tonelada produzida, houve reduções consideráveis na planta de Camaçari e no centro de distribuição de São Gonçalo dos Campos, ambos na Bahia, que indicam maior eficiência no processo. Cerca de 40% da água consumida nos centros de distribuição foi proveniente de água da chuva.

O reúso também aumentou em 2018. Foram reaproveitados 56.382 metros cúbicos de água (24% do total captado), 6,1% a mais em que 2017. Destaque para o centro de distribuição de Registro (SP), que aumentou o reúso em 11 pontos percentuais, passando de 33% para 42%. Já nas fábricas, um total de 21% da água consumida foi proveniente de reúso.

ENERGIA

Nossas operações, como de toda a indústria, consomem intensivamente energia. Em função do impacto ambiental que a produção de energia pode provocar, especialmente em termos de emissão de gases de efeitos estufa oriundos de combustíveis fósseis, o Grupo Boticário tem o compromisso de,até 2024, reduzir o seu consumo e, ao mesmo tempo, tornar a sua matriz energética totalmente baseada em fontes renováveis. Uma terceira meta é relacionada à redução da dependência de terceiros, por meio da autogeração de energia. Até 2024, o Grupo quer que 20% do seu consumo sejam produzidos por meios próprios.

O consumo de energia de todas as nossas unidades é monitorado diariamente e, além da meta global, as áreas contam com objetivos específicos de redução de consumo e uso de fontes renováveis. Em 2018, por exemplo, o consumo de energia elétrica foi 21,7% menor do que em 2017. Uma de nossas principais medidas para a economia energética tem sido a otimização e o aumento de eficiência de nossas plantas. Em Camaçari, a alteração realizada no sistema de climatização resultou em uma economia de 2.657.000 kWh/ano, o que equivale ao consumo médio de quase 17 mil residências por um mês inteiro. Outra linha de trabalho tem sido a substituição de lâmpadas convencionais por iluminação em LED. Em São José dos Pinhais, essa alteração proporcionou a redução de consumo de 171.639,36 kWh /ano, o que daria para abastecer cerca de mil casas por um mês. 

Em relação à intensidade energética, isto é, a energia necessária para produzir uma determinada quantidade de nossos produtos, as unidades de São Gonçalo dos Campos e Camaçari apresentaram uma melhoria de eficiência de 28,8% e de 4%, respectivamente. 

FABRICAÇÃO A FRIO PARA ECONOMIZAR ENERGIA

 

Entre as etapas que mais consomem energia elétrica na nossa produção de cosméticos, estão os processos de aquecimento e resfriamento, necessários por causa das características físicas e químicas de algumas de nossas matérias-primas.

A fabricação e o envase a frio foram adotados há alguns anos para tornar essa etapa mais ecoeficiente e peguem estratégicos para a redução do consumo de energia. Até agora, tivemos sucesso em modificar mais de 30 produtos, para que passassem a ter um processo a frio, dispensando o aquecimento dos reatores. Essa inovação resultou em uma redução média de 71% no tempo de fabricação, gerando eficiência operacional e reduzindo o consumo de recursos: 70% no consumo de energia elétrica, 15% no custo de transformação e 10% no custo de matérias-primas

EMISSÕES

O Grupo Boticário acredita na influência das ações humanas sobre o volume de carbono presente da atmosfera e sabe que as mudanças climáticas decorrentes desse processo influenciam não apenas o nosso negócio, mas também a biodiversidade e as condições de vida de bilhões de pessoas mundo afora. A redução de emissões por todas as nações é essencial para se manter a elevação da temperatura no limite máximo de 2ºC como preconizado pelo Acordo de Paris, assinado em 2015, do qual o Brasil é signatário.

Por isso, a empresa adota ações para reduzir suas emissões e contribuir no esforço de mitigar impactos negativos das mudanças climáticas. Nossas ações se estendem ao ciclo de vida de nossos produtos, da fabricação à destinação final, e a outros aspectos, como logística, pontos de venda e preservação de áreas florestais, por meio da Fundação Grupo Boticário.

Todos anos, o Grupo Boticário elabora seu inventário de emissões, por meio da ferramenta GHG Protocol, e torna públicos os principais resultados. O total de emissões de CO2 equivalente do Grupo Boticário teve um aumento de 8% em 2018, especialmente devido ao aumento da produção nas fábricas de Camaçari e São José dos Pinhais (PR). Os centros de distribuição, no entanto, reduziram suas emissões. Em São Gonçalo dos Campos, a redução foi de mais de 85%: de 174 tCO2e para 25 tCO2e. Outro indicador importante é a intensidade das emissões de GEE por unidade operacional. Em 2018, reduzimos intensidade da emissão de carbono das unidades de Camaçari e de São Gonçalo dos Campos.

Em Camaçari, a queda foi de 13,9 de toneladas de CO2 equivalente emitidas para cada milhão de unidades de produzidas, em 2017, para 11,5, em 2018, uma redução superior a 17%. Já em São Gonçalo dos Campos, a redução chegou a quase 93%, caindo de 1,4 tonelada por milhão de unidades, em 2017, para 100 quilos por milhão de unidades transportadas em 2018. 

 

 

PLÁSTICO VEGETAL REDUZ EMISSÕES DE CARBONO

A adoção de embalagens de plástico vegetal, produzido a partir de cana-de-açúcar, em lugar da versão tradicional, derivada de petróleo, em linhas como Cuide-se Bem,  Nativa SPA, Siàge e Malbec, está ajudando a reduzir nossas emissões. Atualmente, a nova linha de embalagens está evitando que, a cada quilo de plástico usado na produção, sejam lançados 4,95 quilos de CO2 na atmosfera. A linha Cuide-se Bem, por exemplo, conta com mais de 70% do portfólio feito com plástico vegetal em seus frascos e bisnagas, diminuindo o uso de plástico convencional em mais de 90 toneladas por ano.